O QUE “BEM-ESTAR” SIGNIFICA PARA MIM

Conhece as mulheres que têm lutado para conseguir os seus preciosos rituais de bem-estar.

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Anita Roddick
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Anita Roddick

“Acredito que a beleza é sobre vivacidade, energia, compromisso e autoestima, em vez de um conjunto ideal de características faciais ou dos membros.” Fundadora da The Body Shop, Anita Roddick

Anita Roddick

Fundadora da The Body Shop

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heart illustration

A CRISE DE SELF LOVE

A The Body Shop é uma marca ativista, fundada com a filosofia de que a beleza pode, e deve, nutrir o espírito humano. Desde 1979 que nos temos dedicado a isso mesmo. No ano passado, conduzimos um pioneiro relatório global sobre self-love. O relatório revelou que, neste preciso momento, o nosso espírito está em grandes sarilhos.

Destacou que 6 em cada 10 pessoas espalhadas pelo mundo gostariam de se respeitar mais, e que 6 em cada 10 disse que se sentia inútil de vez em quando. E não se fala sobre isto. Mais de metade das pessoas inquiridas disseram que muitas vezes fingem estar “felizes” para agradar os outros, mesmo que não se sintam dessa forma.

É por isso que temos de falar sobre o que significa realmente “bem-estar”. Para nós, The Body Shop, o bem-estar é muito mais do que uma tendência de beleza. Trata-se de criar novas rotinas que construam autoestima. Trata-se se reduzir o stress e estimular mudanças positivas. Pois só conseguimos elevar-nos e construir um mundo melhor, quando conhecemos realmente o nosso próprio valor.

ROTINAS PARA NUTRIR CORPO, MENTE E ALMA

Rotinas positivas não deviam ser um luxo nem ocasionais. Elas podem ser praticadas por toda a gente, a qualquer altura. Queres estejas no mood de começar uma revolução ou simplesmente a desesperar por uns minutos de paz num dia agitado.

Apresentamos-te 3 incríveis mulheres que construíram as suas próprias rotinas de conexão profunda para alcançar o seu bem-estar.

Deanah, Delaware, EUA

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blind beauty

Eu sempre fui uma pessoa interessada em cuidar de mim. Moda, beleza, manter-me saudável, comer “bem”, esse tipo de coisas. Quanto tinha 17 anos, no último ano do secundário, comecei a ficar com a visão turva. 8 semanas depois, estava cega. O meu nervo ótico tinha inchado de tal forma que ficou irreversivelmente danificado.

As pessoas podem pensar que perder a vista nos pode tornar menos superficiais, e sim, foi o meu caso. Mas internamente, tornei-me ainda mais preocupada com o que as outras pessoas pensavam sobre mim. Eu sentia que tinha de compensar pelo fato de não ver. Eu não queria que a cegueira me definisse. Eu mantinha rotinas de autocuidado, mas giravam à volta do que as outras pessoas viam e do que pensavam sobre mim. Como comer bem para emagrecer ou ter uma pele bonita. Era ainda sobre estar “conforme”.

Este ano foi muito duro. Forçou-me a questionar-me profundamente. Agora estou grávida de 7 meses, à espera de um menino. De repente dou por mim a pensar “ok, tenho de começar a lidar com o que realmente se está a passar comigo”. Dei conta de que tenho vindo a esforçar-me tanto para superar a forma como as pessoas me veem, que me tenho negligenciado.

“O verdadeiro bem-estar tem tantas facetas. É o teu espaço mental, o teu espírito, a tua energia – é precioso a todos os níveis.”

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Photoshoot

Cuidares de ti e mimares-te é bom, e pode mascarar aquilo pelo qual estás a passar. O verdadeiro bem-estar tem tantas facetas. É o teu espaço mental, o teu espírito, a tua energia – é precioso a todos os níveis.

Hoje em dia, tento que a forma como sou vista pelas outras pessoas seja a última coisa em que penso. As minha rotinas de self-love são mais sobre cuidar da minha saúde emocional. Sou artista e escrevo música, poesia e faço journaling. A criatividade é a minha libertação.

Ainda gosto de ir à pedicure. Até mesmo ir à pedicure é muito mais do que apenas isso. Quando perdes a visão, passas muito tempo na tua cabeça, não há visões que te distraiam. Por isso, quando vou fazer a pedicure, saio de casa, passeio, saio da minha cabeça, rodeio-me de pessoas que me apoiam e faço algo positivo por mim.

“Quando perdes a visão, passas muito tempo na tua cabeça”

Tenho pensado em como é que vou ensinar ao meu filho a ter uma relação com ele próprio. Vou fazer-lhe perguntas que não faço a mim as vezes suficientes: “Como te sentes em relação a ti hoje?” ou “Que coisas sobre ti mesmo te deixam curioso?” Espero que possa ensiná-lo a procurar a sua beleza interior.

Kacey Martin, Sydney, Austrália

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Kacey Martin Image

Tenho ascendência Māori mas cresci numa área predominantemente branca, desconectada desse lado da minha família. Tinha interiorizado muitas atitudes racistas e durante anos tentei reprimir a minha identidade Māori.

Para mim, bem-estar não se separa da minha identidade. Sou uma mulher de cor, gorda e indígena, com problemas de saúde mental. Pessoas com identidades estigmatizadas normalmente acumulam vergonha mais facilmente. Quando sentes que não importas, praticar o amor próprio é um ato radical. O reconhecimento do nosso próprio valor é crucial para criar um mundo melhor. Com isso, eu consigo fazer o meu trabalho, defender as comunidades indígenas.

"Quando sentes que não importas, praticar o amor próprio é um ato radical. O reconhecimento do nosso próprio valor é crucial para criar um mundo melhor."

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naked body

No Oeste parece que temos uma cultura de auto-otimização do corpo, onde as pessoas “saudáveis” são vistas como moralmente superiores. Esta é uma forma muito individualizada de olhar para a saúde. As pessoas indígenas veem as coisas de forma diferente. Para elas, o bem-estar não se pode comprar. Está interligado com a família, a comunidade e a terra. O movimento de bem-estar ocidental começou a apegar-se a estas ideias. Para algumas pessoas indígenas isto pode ser prejudicial. Por exemplo, quando a crescente popularidade de defumar sálvia a torna inacessível às comunidades indígenas.

Há uma dor compartilhada entre os povos indígenas de que sua cultura lhes foi tirada. Eu tive muita sorte em encontrar a minha tribo na Nova Zelândia. Quando fiz a minha tatuagem Māori, vi a montanha por onde o meu espírito passará e o rio que me levará até lá. Fico alegre por saber que estou espiritualmente conectada à terra. Faz parte da minha identidade indígena e é reconfortante saber que o meu bem-estar não é só sobre mim.

Zanny Jode, Norfolk, Reino Unido

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Lady with flowers

Quando eu estava numa relação abusiva, mal sabia o significado de “bem-estar”. Eu não estava nada “bem”. Estava muito, muito mal. Eu comia torradas simples e massa porque não conseguia comprar a minha própria comida. Não pensava, de todo, nas minhas necessidades. O meu ex, com quem estive desde os 15 anos, era muito controlador. Ele não gostava que eu saísse de casa e escolhia todos os meus amigos por mim, e muitas vezes escondia-me as chaves do carro. Mas ele sabia fingir perante as pessoas, por isso, ninguém, nem mesmo a minha família mais próxima, sabia da dimensão do abuso físico e emocional que eu estava a sofrer.

Um dia a minha filha disse-me que não queria ser menina porque as mulheres têm de ficar em casa e fazer tudo o que os maridos lhes dizem. Isso despoletou algo em mim. Eu sabia que não podia continuar onde estava e dar-lhe essa vida. Tracei o meu plano de fuga e saí de lá.

Assim que decidi sair, a minha incrível irmã apareceu e mudou todas as minhas coisas para um novo apartamento. Quando finalmente tinha o meu próprio espaço, tive de aprender a estar sozinha. Depois de 12 anos a não poder tomar as minhas próprias decisões, foi esmagador. Passei tempo no jardim a processar lentamente o que me tinha acontecido, distanciando-me mais. O mindfulness, reiki e meditação foram essenciais para a minha recuperação e para regressar ao mundo outra vez.

"Os meus rituais de beleza são calmantes e intencionais. Quando vou fazer as pestanas digo para mim mesma: estou a levantar as minhas pestanas para elevar o meu espírito".

Enchi aquela casa com todas as cores do arco-íris. Estava determinada em tornar a minha vida depois dele, numa verdadeira alegria. E é mesmo! Agora parece que estou a falar de outra pessoa. A minha filha é agora uma adolescente completamente independente, inteligente e com bom coração. Ainda tenho ressacas da minha antiga vida, ainda sofro muito de ansiedade social quando estou perto de grandes multidões de pessoas bêbadas. Costuma despoletar uma sensação de pânico devido aos abusos que sofri.

É por isso que, para mim, fazer o meu ritual de beleza ao sábado à noite não tem só a ver com ficar bonita, é um ritual de amor próprio que canaliza o meu poder interior e me ajuda a combater a ansiedade.

Sou um bocadinho tipo uma bruxinha. Os meus rituais de beleza são calmantes e intencionais. Quando vou fazer as pestanas digo para mim mesma “estou a levantar as minhas pestanas para elevar o meu espírito” ou quando ponho batom, faço-o com a intenção de que da minha boca saiam apenas palavras bondosas. Pode parecer parvo para algumas pessoas, mas para mim funciona.